sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Prefeitura de Carapicuíba comemora um ano da Casa do Empreendedor






A Prefeitura de Carapicuíba comemorou, no último dia 27, o aniversário de um ano da Casa do Empreendedor, órgão ligado à Secretaria do Trabalho. O evento ocorreu no salão de festa Paraíso, um dos mais conceituados da cidade e teve o patrocínio de empresas parceiras do programa.
Além do anfitrião, o secretário do Trabalho, prof. Luiz Gonzaga, a festa atraiu personalidades importantes como o prefeito Fuad Chucre, a secretária de Promoção Social, Sônia Valois, o secretário de Habitação, Ailton Palito, o vereador Marcos Neves, o presidente da Câmara de Osasco, vereador Osvaldo Verginio, o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo, Joseph Couri, o presidente da AESCCA, Gilberto Freitas, a delegada do Conselho Regional de Contabilidade Maria do Amparo, a diretora Regional da Grande São Paulo Oeste da SERT-SP, Dra. Rismalia Musarra, o gerente do Banco Nossa Caixa, Paulo Afonso, empresários e contadores.
Em discurso vibrante e comovente, o secretário do Trabalho, prof. Luiz Gonzaga disse que neste primeiro ano de atividades a Casa do Empreendedor prestou mais de 700 atendimentos a 32 clientes fixos (escritórios de contabilidade) e 100 clientes esporádicos. “Agora, nossa meta é transformar a Unidade de Legalização Empresarial de Carapicuíba em Escritório Regional da Junta Comercial de São Paulo e aprovar a Lei do Comércio Legal para ajudar a prefeitura reduzir a informalidade e ampliar a arrecadação”, enfatizou Gonzaga.
O prefeito Fuad Chucre disse em seu discurso que a Casa do Empreendedor foi uma idéia do seu filho, o deputado federal Fernando Chucre, que está sendo administrada com dinamismo e competência pela Secretaria do Trabalho. “Empresários e contadores que antes se dirigiam à Junta Comercial de São Paulo para dar entrada em processo, agora têm a opção de fazer este serviço aqui na cidade, economizando tempo e dinheiro”, salientou Fuad.
Durante o evento, o coordenador da Casa do Empreendedor, Júlio César apresentou, em data-show, um esboço do projeto Comércio Legal e, junto com o prefeito Fuad Chucre e o secretário do Trabalho, prof. Luiz Gonzaga, prestou homenagem a todos os escritórios de contabilidade que são clientes do órgão.
A Casa do Empreendedor de Carapicuíba atende contadores de toda a região e está localizada à av. Rui Barbosa, 540, sala 40, Conjunto Comercial, Calçadão do Centro, Fone 4185-3772.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Perspectivas para as contas públicas


Amir Khair

As análises convencionais avaliam o desempenho das contas públicas observando o crescimento das despesas primárias do governo federal (despesas exclusive juros). Diante do seu crescimento, os analistas apontam para uma deterioração fiscal. Tais análises não separam as despesas de custeio das relativas a investimentos, não avaliam as finanças estaduais e municipais e ignoram os juros - principal despesa pública.Essas limitações são resolvidas quando a análise é feita sobre os principais termômetros das contas públicas: os resultados nominais (receitas menos despesas, inclusive juros) e a relação entre a Dívida Líquida do Setor Público e o Produto Interno Bruto (PIB). Esses indicadores captam a realidade fiscal de todo o setor público (União, Estados e municípios) e tiveram ao longo dos últimos anos resultados favoráveis. O resultado nominal passou de um déficit de 9,4% do PIB em 2002 para 2,1% em junho. A Dívida Líquida do Setor Público passou nesse período de 50,5% do PIB para 44,3%.Com a queda da Selic é provável que neste ano o déficit nominal fique abaixo de 2%, considerado um nível bom, internacionalmente, e que a Dívida Líquida do Setor Público continue sua tendência de queda.Esses resultados foram obtidos por causa da manutenção de superávits primários - receitas menos despesas, exclusive juros - elevados para compensar a pesada conta de juros, que nos últimos dez anos representou em média 8% do PIB.Para obter os resultados primários elevados, o setor público aumentou a carga tributária, que passou de 31,9% em 2002 para 34,2% em 2006, com elevação de 2,3 pontos porcentuais.Dessa carga tributária de 34,2% foram abatidos 6,8% de juros, sobrando uma carga tributária líquida de 27,4% do PIB, usados pelo setor público para pagar custeios e investimentos. Neste ano poderão sobrar mais 2% do PIB, pois, pela arrecadação até julho, a carga tributária deverá crescer 1,2 ponto porcentual e os juros devem cair para 6%. É com esse adicional que o setor público contará para ampliar seus investimentos e atividades.No âmbito estadual, os Estados mais endividados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, obtiveram autorizações do governo federal para elevarem ainda mais suas dívidas em troca de apoio à prorrogação da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU) - desvinculação de 20% dos tributos da União para amortizar sua dívida. Mais uma herança fiscal para os sucessores.Ainda para ajudar as finanças de Estados e municípios, tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC 12/2006) para reduzir drasticamente os pagamentos de precatórios (dívidas com os contribuintes), mais conhecida como o calote dos precatórios. A intenção é atender à demanda política de prefeitos e governadores inadimplentes que têm muita força de atuação no Congresso. O governo do Estado de São Paulo seria o mais beneficiado, pois é o maior devedor do País, devendo mais do que a soma de todos os demais Estados. Os analistas parecem desatentos a esse fato, que constitui precedente preocupante.No aspecto conjuntural da economia, com reflexo nas finanças públicas, a crise internacional deverá passar ao largo do País, pois nossa dependência do mercado americano foi sendo reduzida nos últimos anos com a diversificação de exportações para países emergentes e com a ação das empresas brasileiras na conquista e ampliação de mercados externos.Atualmente, as empresas brasileiras estão capitalizadas, não há dependência externa de petróleo e de matérias-primas básicas e o mercado interno - carro-chefe da economia - deverá permanecer aquecido pelo crescimento contínuo da massa salarial e da oferta de crédito resultante da queda da Selic.Os reajustes reais do salário mínimo e as políticas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, o Benefício de Prestação Continuada, ao se intensificarem, gradativamente, impactarão processos de inclusão social e ampliação do consumo das camadas de mais baixa renda.Políticas de estímulo à construção civil já estão apresentando resultados para a geração de empregos e barateamento na aquisição das moradias para a classe média e de menor renda.O BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estão fortemente capitalizados com políticas agressivas de expansão de crédito a taxas de juros mais atrativas que as ofertadas pelo sistema financeiro privado, induzindo-os a competir e com isso ampliando a oferta, a demanda e o crescimento da economia.O maior aliado das finanças públicas, no entanto, é o crescimento do PIB. Amplia a receita pública e é o denominador dos indicadores ficais. Assim, quanto maior o PIB menor a relação dívida sobre PIB, o mesmo valendo para o resultado nominal e para as despesas públicas. Como existem condições objetivas de crescimentos superiores a 4% nos próximos anos, todos os indicadores fiscais tendem a melhorar.Com juros em queda, carga tributária em elevação, ampliação de endividamento dos maiores Estados, calote nos precatórios e crescimento do PIB, o setor público deverá navegar em águas tranqüilas em suas finanças para os próximos anos.Este é um cenário possível. A conferir.Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV, é consultor.Celso Ming está em férias.

Contra a CPMF

Brasileiro trabalha até 9 dias para pagar a CPMF Hoje, em média, o brasileiro trabalha sete dias do ano somente para pagar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Em 1997 eram três dias. Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) detalha, por atividade profissional, o peso desse tributo no bolso do trabalhador.A CPMF, diz o texto, tem incidência cumulativa em todas as cadeias de produção e de consumo, incidindo reiteradamente em todas as fases econômicas, desde a circulação da matéria-prima, passando pela industrialização, distribuição e comercialização do produto ou serviço ao consumidor final, sem que haja possibilidade de se deduzir o montante cobrado nas etapas anteriores.A partir do rendimento bruto médio de cada atividade, o IBPT aplicou a alíquota da CPMF sobre o montante que passa por transações bancárias. Sobre os equipamentos (veículos, imóveis, máquinas, etc) utilizados no exercício da atividade, calculou o montante da contribuição incidente sobre o bem, ponderando-se pelo seu tempo médio de vida útil. Sobre os insumos básicos para a prestação de serviço (combustível ou custo de transporte, uniforme, matérias), calcula-se a CPMF incidente.E, sobre os tributos diretos necessários para o exercício da atividade, calcula-se também a CPMF incidente. Com isso é possível saber, por exemplo, que um taxista e um caminhoneiro trabalham nove dias/ano cada para pagar o tributo (R$ 241,65), enquanto profissionais da saúde e liberais, serralheiros, mecânicos e artistas chegam a seis dias/ano (R$ 161,10).

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Este é um conceito da vida diária, que pode ser aplicado também para muitos outros aspectos da vida
Nenhum conceito é mais usado na linguagem da política do que o de poder. Falar em política é falar em poder. Entretanto, este é um conceito da vida diária, que se aplica também para muitos outros aspectos da vida, diferentes da política.
Bertrand Russell costuma dizer que o "poder é a produção de efeitos desejados"
Além disso, poder é um conceito muito próximo de outros, particularmente do termo influência.
O que é, então, verdadeiramente o poder na política? Em que consiste? Qual a sua função na vida social? O que o distingue de outros termos assemelhados, como influência? Porque as sociedades organizam-se com base no poder, e não em outros princípios? O poder pode ser visto como uma massa de energia que a sociedade coloca nas mãos do governante, dentro de marcos legais estabelecidos, para realizar os objetivos dos seus membros.
Esta massa de energia é composta de recursos financeiros, de ativos instalados e em operação (usinas, estradas, redes de energia etc), e de pessoal contratado para operar as instalações públicas e fazer a "máquina" do governo funcionar, em todas as suas frentes.
Quem comanda esta massa de energia detém o poder, comanda o governo, assumindo a responsabilidade pelo funcionamento do governo (provendo bens e serviços públicos para a população) e pelas suas realizações (tudo que é feito além do que já existia). Este é o poder político, em qualquer nível. O enunciado acima é válido para uma cidade, para um Estado assim como para o País.
Luta-se pelo poder exatamente para adquirir o comando desta "massa de energia", com a qual torna-se possível realizar objetivos de natureza coletiva. Por sua própria natureza, o poder não convida, manda; não sugere, determina.
Há toda uma estrutura legal que legitima inclusive o "uso ou ameaça do uso da sanção física" para garantir que as decisões do poder (obtidas em respeito à Constituição) sejam cumpridas e obedecidas pelos cidadãos. Portanto, o poder é uma energia muito eficiente para realizar tarefas e para afetar o comportamento das pessoas.
Enquanto a influência, para induzir um comportamento, dependerá sempre da aceitação do influenciado, da sua anuência, o poder induz o comportamento desejado, independente da anuência, aceitação, boa ou má vontade do indivíduo afetado. A influência é sugestiva, o poder é autoritário, embora, numa democracia, seja o exercício de uma autoridade legítima, dentro dos marcos legais estabelecidos. Por que as sociedades se organizam com base no poder e não com base na influência? Porque a provisão de bens e serviços públicos, da qual depende a própria sobrevivência da sociedade, exige que o governo tenha capacidade de ação e meios à sua disposição para executá-los, mesmo contrariando interesses de sua população.
O governo deve realizar a provisão de bens e serviços públicos, da qual depende a própria sobrevivência da sociedade
Ninguém gosta de pagar impostos, e, se este pagamento fosse voluntário, não haveria como financiar o governo; ninguém gosta de ir para a guerra, e se esta decisão fosse voluntária, não se poderia organizar as Forças Armadas para a defesa nacional. Da mesma forma, todos gostariam de dirigir seus carros como bem entendem. Mas se isso ocorresse, o trânsito se tornaria um caos.
Os exemplos podem ser multiplicados, mas em todos os casos nos defrontaremos com a realidade de que, se a vida social tivesse a sua base fundada na influência, na persuasão, jamais haveria a certeza de que os bens públicos (saúde, educação, segurança, limpeza, transporte, investimentos etc) seriam providos à população.
Somente fundando-se a vida social no poder, pode-se ter segurança de que os serviços e bens públicos serão providos aos indivíduos, e que estes terão que adaptar seu comportamento às regras legalmente vigentes.
Segundo Bertrand Russell, na sua elegante definição, o "poder é a produção de efeitos desejados". O poder é simplificador, é um "atalho". Como ele se exterioriza por comandos, garantidos por sanções, a probabilidade de que tais comandos venham a ser observados e cumpridos é muito alta.
Esta é a razão porque os grupos sociais se organizam politicamente para conquistar o poder. Quem o conquista, ganha o governo, e, com ele, o poder. Em outras palavras, ganha o direito legítimo de usar aquela "massa de energia" para realizar os objetivos para os quais foi escolhido.
O competente exercício do poder, então, não é apenas um atributo ou qualificativo de uma liderança. Muito mais que isto, ele é um imperativo da sobrevivência da sociedade, do seu ordeiro regramento, e da vida civilizada.

O governante que se encontra no poder e busca a reeleição é normalmente estabelece o foco de sua campanha nas realizações de seu governo

O governante que se encontra no poder e busca a reeleição é normalmente estabelece o foco de sua campanha nas realizações de seu governo
O governante que se encontra no poder e busca a reeleição é quase que compulsoriamente conduzido a buscar o foco de sua campanha ou nas realizações de seu governo, ou nos atributos pessoais que comprovou possuir.
A campanha do governante pela reeleição tende a apontar para o passado mais que para o futuro
Como tal, a campanha pela reeleição tende a apontar para o passado mais que para o futuro. Mais ainda, o futuro tende a ser encarado como a continuidade do que está funcionando, com algumas mudanças. Em conseqüência, o enorme hemisfério da mudança, que é o que os eleitores encontram de mais atrativo numa eleição, fica entregue aos opositores.
A tendência para privilegiar a continuidade decorre de razões psicológicas e de razões políticas. Psicologicamente, o candidato tende a acreditar na sua obra, a valorizar o que realizou com tanto esforço e preocupação. Negar isto equivale a negar a si mesmo. Politicamente a razão se encontra no fato de que o candidato não é um personagem solitário. Em torno dele formou-se um governo composto de outros políticos e aliados que, além das mesmas razões psicológicas, possuem interesses em comum. Fica pois, muito difícil para um candidato a reeleição, mudar além das idéias, prioridades e estilo, seus companheiros, aliados, e os interesses que eles representam.
Por estas razões, para um candidato à reeleição há uma tendência muito forte para manter as linhas principais das políticas praticadas, o que, por mais que se tente mascarar, traduz sempre a predominância da continuidade sobre a mudança. O presidente Bush (pai), em 1992, concorria à reeleição. Na época em que este comercial foi divulgado sua batalha ocorria ainda dentro do seu partido (Republicano), para conseguir ser escolhido como o candidato oficial. Contra ele havia outros candidatos do partido (notadamente Buchanan, que lhe deu combate) e ele precisava tirar partido de seu desempenho como Presidente, para vencer seus adversários.
Ficou então famoso o seu comercial sobre "liderança", cujo texto lido por um locutor foi inusitadamente longo. Bush ganhou a Convenção, foi escolhido candidato, e disputou a presidência com Clinton, do Partido Democrata, para o qual perdeu. O comercial o apresenta como um modelo de líder, do tipo que os americanos esperam que ocupe a Presidência da República.
O comercial
O comercial tenta mostrar que o presidente em Bush é uma liderança forte no comando da América
O comercial abre com cenas de Bush com Boris Yeltsin. A seguir corte para cenas de Bush caminhando na varanda da Casa Branca, seguida de cenas de Bush no escritório oval (escritório presidencial) sentado à mesa, conversando com uma pessoa em sua frente. Enquanto estas cenas passam o locutor em off: "Talvez nenhum outro Presidente em nossa história tenha mostrado ao mundo uma liderança tão forte. O medo da guerra nuclear diminuiu, os terroristas estão sob aviso e os ditadores controlados". Aparece então um quadro de fundo preto com um título em letras brancas: "A agenda de Bush", que permanece em foco, enquanto frases aparecem em seqüência no quadro, abaixo do título:
Reforçar nossa economia
Tornar a América mais competitiva
Mudanças na Previdência: fazer trabalhar as pessoas que podem trabalhar
Reforma educacional: responsabilidade e resultados
Enquanto as frases vão sendo impressas sobre o quadro, o locutor: "Na política doméstica ele enfrentou um Congresso rebelde, impondo 26 vetos e conseguindo mantê-los. Agora, ele tem um plano de revitalização da economia para tornar a América mais competitiva no mundo. A Agenda Bush: mudar o sistema de previdência para exigir que todas as pessoas capazes e em boas condições de saúde trabalhem. Ela exige também responsabilidade e resultados de nossas escolas para termos mais e melhor educação pelo dinheiro que colocamos nelas".
Surgem no quadro novas frases:
Reforma judiciária
Mudança em Washington: reforma do orçamento
"A reforma judiciária deve eliminar processos com reclamações de custos exagerados que aumentam também exageradamente os custos dos seguros e prejudicam os negócios. Mudança em Washington, impondo prazos ao Congresso e redução de déficit para beneficiar os contribuintes"
Retorna a cena para Bush na mesa do salão oval: "Os advogados, os lobistas, os líderes do partido democrata vão combater este presidente a cada passo desta caminhada. Mas este homem que já mudou o mundo, vai mudar a América".
Aparece na tela enquanto o locutor diz: "Presidente Bush. O futuro da América em mãos experientes".

noticias da politica

Presidente do PMDB nega que o caso complique de alguma forma o Partido
Para o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer, seu partido deseja um julgamento justo e não político para o senador Renan Calheiros, presidente do Senado. Apesar das históricas diferenças entre ambos, Temer hoje mais próximo do governo, fez sua primeira declaração objetiva e de apoio ao presidente do Senado, que sempre militou em corrente partidária adversa. Além de dizer que o caso não atrapalha o PMDB, Temer afirmou também que o episódio político não prejudica a atividade político-partidária. E revelou que tem conversado com Renan, que lhe assegurou que, para todas as acusações, tem apresentado uma contraprova.
O presidente do PMDB, Michel Temer, chega ao Palácio do Planalto para conversar com o presidente Lula/Foto: José Cruz/ABr
Quanto à CPMF, outra polêmica política que começa a envolver o Congresso, o presidente do PMDB garante que o governo não deverá partilhar a contribuição do imposto com Estados e municípios. O presidente nacional do PMDB vai se reunir com os presidentes dos principais partidos para discutir as questões relacionadas à CPMF e à Reforma Tributária nos próximos dias. E observou que não sabe a maneira como o governo deverá agir nos mecanismos de compensação para Estados e municípios na Reforma Tributária.

Renan não vai cobrar apoio
Renan Calheiros que vive momentos decisivos no Senado não vai cobrar apoio dos senadores para ser absolvido nos processos por quebra de decoro parlamentar a que responde no Conselho de Ética da Casa. Não vê também qualquer vinculação deste episódio com a necessidade do governo aprovar a prorrogação da CPMF até 2011, o que poderia envolver empenho do PMDB na votação, em troca de uma possível absolvição do senador. E diz o porquê: "A CPMF só vai chegar ao Senado no final de setembro, início de outubro. O meu processo não tem nada a ver com a CPMF, é uma decisão dos meus pares. Eu não vou cobrar apoio de absolutamente ninguém", deixou claro o senador.
Seu propósito é pedir que seus colegas "observem os fatos, as provas, os documentos" apresentados por ele para que votem de acordo com as suas consciências: "Seja qual for o calendário do Conselho, vou aproveitar para mostrar a verdade que eu carrego comigo. Quando tínhamos pressa para demonstrar a verdade, havia quem falasse mal. Hoje eu não tenho pressa, eu quero é que a verdade aflore, que o povo fique convencido da minha inocência".
O senador revela que se colocou à disposição do Conselho e estar disposto a encaminhar novos documentos ao Conselho se necessário: "Eu mandarei quantos documentos forem necessários. Manda documento quem tem documento, quem não tem documento fala, fica no discurso".
Renan responde a três processos no Conselho de Ética do Senado. O que envolve a jornalista Mônica Veloso com que teve uma filha fora do casamento, a de ter procurado o INSS para reverter dívida de R$ 100 milhões da Schincariol depois que a empresa comprou fábrica de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros e a de ter usado laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas em sociedade oculta com o usineiro João Lyra.

Plano de Segurança
No lançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, ontem, o presidente Lula afirmou que o combate à criminalidade se faz com políticas sociais. "Nós precisamos levar junto com a urbanização a escola, o posto médico, a área de lazer", afirmou o presidente Lula, destacando que é preciso atacar antes "de as pessoas se tornarem criminosas".
O programa contará com investimentos de R$ 6,7 bilhões até 2012. Deste montante, R$ 483 milhões deverão ser aplicados ainda neste ano. As atenções iniciais estarão voltadas para 11 regiões metropolitanas, que apresentam os maiores índices de violência do Brasil.
Em seu discurso, Lula afirmou que o governo está "apostando todas as fichas" para recuperar a juventude e fez um apelo às famílias. "Se o pai, a mãe e o tio não estiver convencido de construir a parceria conosco, nós teremos muito mais dificuldade de vencer a batalha."
Mercados: calma
A instabilidade dos mercados de ações nos Estados Unidos ontem não impediu que a Bovespa operasse em alta durante todo o dia e encerrasse os negócios com ganho de 1,33%, a 49.206 pontos.
Com o fechamento de hoje, o Ibovespa, principal índice de ações do país, completa dois dias de valorização, após registrar seis baixas seguidas desde 9 de agosto. O dólar fechou em alta de 0,25%, cotado a R$ 2,029 na venda.

Outro processo
Um mês após ter recebido representação do PSOL contra Gim Argello, a Mesa do Senado decidiu examinar o caso do senador, acusado de quebra do decoro parlamentar. A sessão da Mesa que tomará a decisão de enviar ou não o caso Argello ao Conselho de Ética da Casa está marcada para a tarde de hoje. Argello assumiu na última sessão realizada pelo Senado antes do recesso parlamentar, na vaga do titular da vaga, Joaquim Roriz.

A oratória da sedução II: Como construir o discurso

O único objetivo deste tipo de oratória é produzir um efeito nas pessoas que a ouvem
Você jamais vai entender o verdadeiro significado da oratória da sedução, enquanto não compreender que seu objetivo não é nem persuadir, nem revelar abertamente seu pensamento e sentimentos, como é o caso na oratória convencional.
Ao usar a oratória da sedução, o candidato deve faszer um esforço para entrar na "pele" dos que o escutam, isto é, comunicar-se com os sentimentos deles: medos, inseguranças, esperanças, expectativas, desejos.
O único objetivo da oratória da sedução é produzir um efeito nas pessoas que a ouvem. Esta é a marca registrada deste tipo de oratória. Mas, que "efeito" é este que se deve produzir?
Para responder a esta pergunta, que é chave para entender-se o significado da oratória da sedução, é preciso antes, fazer um esforço para livrar-nos dos hábitos com os quais estamos muito familiarizados.
Em primeiro lugar, conter o desejo de revelar seus sentimentos e pensamentos. Nosso primeiro assunto, ao começar a falar, e, por vezes, o único, costuma ser nós mesmos. Isto é humano, normal e natural.... mas não na arte da sedução.
Em segundo lugar, você deve fazer um esforço para entrar na "pele" dos que o escutam, isto é, comunicar-se com os sentimentos deles: medos, inseguranças, esperanças, expectativas, desejos...
Em terceiro lugar, você deve ter fixado na mente que vai falar não para o cérebro das pessoas e sim para o coração. Tudo muda, na forma habitual de comunicação: os termos que se usa, a forma de falar, as imagens mentais que se busca produzir, o ritmo do discurso, e o uso das palavras.
Em quarto lugar, as palavras. Elas não devem ser encaradas como instrumentos que você maneja para revelar seus pensamentos, sua argumentação, sua lógica racional de convencimento. Elas são usadas para "confundir", "hipnotizar", "sensibilizar". Novamente, é oportuno lembrar o que foi dito na coluna anterior comparando a oratória da sedução com a convencional: na primeira, as palavras funcionam como uma melodia, enquanto que na segunda como um ruído.
Em quinto lugar, o conteúdo do seu discurso de sedução. Não se pode esquecer que, embora diferente da convencional, a oratória da sedução tem também o objetivo de obter a adesão das pessoas para a sua causa. Logo, precisa ter conteúdo, precisa apontar um rumo.
Este conteúdo, entretanto, tem que ser compatível com os sentimentos que este tipo de oratória provocou no público. Não pode ser uma "súbita reentrada", à guisa de conclusão, na oratória convencional, alinhando argumentos lógicos e racionais. Isto seria como despertá-los do sonho, provocaria um conflito de percepção que poria a perder toda a ação de sedução já realizada. O conteúdo terá que ser acima de tudo "vago" e "ambíguo" para que eles preencham, com a sua imaginação e com suas fantasias, o que você deixou de dizer.
Na oratória de sedução, o conteúdo tem de ser coerente com os sentimentos que este tipo de oratória irá provocar no público. Senão isto equivaleria a "despertar as pessoas do sonho".
Quem seduz, possui um mistério e um "charme" próprio. Não pode ser tão facilmente decodificado. Quem fala, explicando tudo, é o professor; o sedutor fala sugerindo. Ora, a sugestão completa-se pela imaginação, jamais pela explicitação. É fundamental deixar este espaço para o alvo da sedução completar. Ao completá-lo, o círculo da sedução se fecha. O alvo espontâneamente se "envolveu", passo indispensável para a "entrega".
Veja-se, como exemplo, o clássico discurso de Marco Antônio, descrito por Plutarco (Vidas) e transposto para o teatro pela pena genial de Shakespeare.
Morto César, pela conspiração de Brutus, a este compete vir a público explicar, nas escadarias do Senado, as razões para o assassinato de César. Seu discurso (dentro da oratória tradicional) alinhou razões lógicas para o regicídio. Ele e seus companheiros desejavam salvar Roma da ditadura. O povo aceitou a justificativa, e acatou os argumentos. Afinal, Brutus era um homem reputado como honrado, e era filho de César.
É então que Marco Antônio, depois do discurso de Brutus, toma a palavra. Ele começa seu discurso concordando com Brutus e com a massa (O discurso da sedução focaliza naquilo que as pessoas querem ouvir. Não há outra porta por onde entrar no mundo do outro, sem chamar a atenção e sem provocar reações defensivas).
A cada frase em que concorda com Brutus, termina repetindo, como numa litania, "Mas Brutus é um homem honrado". Pouco a pouco, Marco Antônio, começa a introduzir, como contraponto às acusações feitas a César por Brutus, um "mas" que apresenta o lado bom de César.
A partir de então sua linguagem fica emocionada. Ele fala do amor de César pelo povo romano, pelos amigos, por Brutus. Em breve, a passagem da concordância com as acusações, para o elogio a César, e, ato contínuo, para a "sugestão" sobre as intenções dos que o mataram, se completa.
Marco Antônio começou agradando o público e repetindo as acusações a César, sempre enfatizando que foram feitas por Brutus e que Brutus é um homem honrado. Ele inverte a estrutura do discurso e, depois de mostrar que "apesar das acusações, César havia feito muito bem para Roma e os romanos", (sempre com a anuência e aceitação do público), ele transita para o elogio aberto de César e faz um suspense sobre o testamento de César. Cria um clima de expectativa e curiosidade sobre o testamento ao dizer que se eles (o povo) conhecessem o testamento que ele tinha em mãos, então reconheceriam toda a grandeza de César e a mesquinhez e ambição de seus assassinos. A provocação produz o resultado esperado, e o povo passa a exigir que ele mostre o testamento.
O discurso de Marco Antônio, após a morte de Júlio César, é um clássico dos clássicos da oratória da sedução
Marco Antônio, então, já com total domínio da audiência, manda que todos se aproximem do corpo, ergue o manto de César e mostra o sangue, e as perfurações por onde os punhais haviam passado, em especial mostra onde o punhal de Brutus atingiu César, e lê o testamento, no qual Cézar deixava sua fortuna para o povo romano.
Foi o coup de grâce. O povo revoltado, vira-se contra os agressores de César, o mesmo povo que no inicio, ao ouvir as explicações de Brutus, aprovara o regicídio.
A peça oratória de Marco Antônio, é um clássico dos clássicos da oratória da sedução. Como o povo aceitara as acusações a César, ele também fingiu que aceitava, ainda que sempre focando em Brutus (Brutus é um homem honrado). Sem jamais afastar-se do apoio popular, introduziu ao lado da acusação aspectos positivos de César - de natureza emocional- que o povo também aceitou. A seguir, aumentou os positivos e pôs em dúvida os negativos, e o povo o acompanhou, para finalmente, remover os negativos e mostrar a grande injustiça.
A peça oratória é de grande dramaticidade. Marco Antônio faz o povo se aproximar do corpo morto de César, teatralmente apresenta o manto perfurado e molhado de sangue, e finalmente revela o conteúdo do testamento.
Todo o discurso é o oposto da oratória convencional e um marco da oratória da sedução.
Ele não contra-argumentou o discurso de Brutus. Ele não afirma, sugere; não acusa, lança dúvidas; ele não justifica César o estadista, fala do César que amava seu povo; não convoca o povo contra os conspiradores, deixa para eles completar o raciocínio e chegar a esta conclusão; o ritmo do discurso, cadenciado pela frase "Mas Brutus é um homem honrado", tem qualquer coisa de hipnótico; suas palavras são "untuosas", vagas, ambíguas; e, quando a temperatura do povo está alta, recorre, sem qualquer hesitação, à dramaturgia do corpo e do manto.
Muitas vezes, ao longo da história, este tipo de peça oratória fúnebre, com objetivos políticos, será usada. No Brasil mesmo, o povo que condenava Vargas e o "mar de lama", após o suicidio, e os inflamados discursos, muda de posição e volta-se contra os inimigos dele, com os quais, até a pouco concordavam.
O discurso fúnebre como peça de oratória da sedução, é apenas um tipo entre muitos outros. O que há de comum a todos é a arte de envolver o público pela emoção e pelos sentimentos.